domingo, 10 de abril de 2011


“Reverência ao Capital!!!”

Francisco Theisen

Em certa viagem turística num Transatlântico de luxo, uma rica senhora sentou-se para um lauto jantar, tendo ao fundo a magnífica ilha de Creta e as charmosas e lendárias águas do Mar Egeu. Nas mesas ao lado um zum zum zum chegou ao Capitão do navio que discreta e delicadamente aproximou-se do Restaurante, ao que foi indagado pela bela e vaidosa jovem de seus 25 anos de idade: “Capitão!!!... é certo trazer um cão para o jantar???” referia-se a jovem à elegantemente senhora vestida num traje na cor verde água e de modos aristocráticos sentada com seu esposo Albert e tendo ao lado numa cadeira confortavelmente acomodado o grande e velho “Bebê” um enorme cão de raça Buldog. O Capitão aproximando-se calmamente indagou: “Minha cara Senhora!!! Porque trouxe este cão para compartilhar da ceia??? Saiba que perante as normas deste navio, a senhora está cometendo uma infração. Ora Capitão!!! (Disse a senhora Albert quase que interrompendo as ultimas palavras do “regente” da viagem)... O Bebê já nos acompanha há muitos anos e freqüenta comportadamente os mais luxuosos restaurantes do mundo e como pode ver ele não está ceiando conosco, apenas nos fazendo companhia.

Alem disso (prosseguiu a senhora Albert) ele não parece incomodar-se com a presença desta gente falante a lhe observar o tempo todo. Ademais nobre Capitão!!! Quando fizemos as reservas para esta viagem, fiz constar que traríamos o nosso convidado especial permanente. O Prof. Albert e eu estamos arcando com todas as despesas referentes à presença de nosso amigo, portanto, não há o porquê de tanto falatório não acha???

O Capitão desenhou um sorriso de canto de boca e saiu estrategicamente dirigindo-se à cabine de comando, sem que antes fizesse uma reverência ao senhor e a senhora Albert e a seu convidado especial.

Nota: A reverência ao capital faz a diferença na convivência social, distanciando iguais e aproximando diferentes.

A presença de um cão à mesa não consiste assim em tamanho absurdo, o fato principal reside na complacência com o poder do capital.

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