sábado, 30 de abril de 2011


“A porta”

Francisco Theisen

Fecha-se a porta... Abrem-se duas vidas. Em questão de segundos há mudanças no horizonte... Apenas numa porta fechada, toda a simbologia de um recomeço.

Ao que fica: a louça por lavar e a cama desarrumada... Ao que vai: a descida da escada o encontro derradeiro com os vizinhos e com o verde da mata dizendo-lhe que o sol já passou do meio dia e que a existência compreendida até a pouco, virou cinzas de um carnaval.

Ao que fica, resta o chá na chaleira bebido em meio à saliva engrossada pelo pranto derramado e se ainda alguma lagrima sobre a mesa cair, terá sido a ultima que aqueles olhos derramarão.

Os braços se apóiam, um sobre a janela do trem o outro sobre a janela que tem na frente da casa.

É o fim de um longo fim... Arrastado. E o inicio de um recomeço agarrado a um passado tão presente que arranhará por muito tempo aquelas almas e aqueles corações.

Sepultar o amor é sentença forte demais embora seja preciso quando se anseia renascer... Mas lá está o velho livro de amor na estante da sala é fácil vê-lo e simples é ler outra vez. Mas os nomes rabiscados e telefones suprimidos anunciam o que já se sabe... Na voz da secretaria eletrônica a saudade que

ficará ... Ao ligar ouvira a mensagem na voz de quem ainda está presente, mas que depois do toque, a um silencio não se seguirá mais nada.

Quando um fim representa um reinicio, embora esperançoso este fim parece mais doloroso que um fim derradeiro pois deixa a mostra o restolho de tudo que o levou ao fim. Por mais que seja verdadeiramente irreversível, há sempre um centímetro a tentar unir o que o desgaste separou.

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