
“Nau Paraíso”
Francisco Theisen
Viver num paraíso noturno embarcado em uma Nau sem rumo em pleno mar nebuloso e ter o semblante feliz, define o entendimento do sentido da vida do personagem deste pequeno conto. Então se faz necessária a pergunta: Qual a face que melhor retrata a felicidade interna de um ser???
Ao final do texto, será respondida a pergunta, apenas pelo norte de um ser que pensa e escreve o que muitas vezes não pensa.
Se cada universo pessoal é formado de mistérios contraditórios incontáveis e indecifráveis ao próprio ser, que dirá de estranhos ao centro de tal universo.
Ele, o personagem viajante incerto e divorciado de todo o normal, inventa a cada dia a sua próxima rota abandonando na mente aquela anterior sem culpa ou ressentimento. E se vai leve como a canoa de índio inaufragavel seguir em águas pesadas e salgadas pela realidade sofrida, mas seguro em seu navio imaginário.
Tudo o que faz e vê tem sentido próprio em vida própria sem ser aquilo que não é.
Existindo dentro de si e jamais saído de lá, conhece o mundo de tantos pelos Portos do mundo... Hamburgo, Gdanscky ou Stambull.
Vive o personagem intensa e magistralmente seu tempo em seu reduto caprichosamente cuidado e velado por uma fé capaz de questionar a fé sem se tornar ateu.
Sua defesa acastelada projetou nele mesmo a saída para ele e para aqueles que se encontram nele e sabem de suas viagens.
Se viajar é preciso, preciso é aproveitar a viajem e amar e olhar e enxergar cultuando o saber, pois no tempo ficaram apenas lá na memória as viagens que se pôde fazer.
O personagem segue seu rumo ou sem ele a enfrentar tormentas e a deliciar-se ao sol nas calmarias.
Pergunto: Ele se parece com você???
Respondo: O personagem é vivo e assim se revela cortando mares, descobrindo a cada dia um novo prisma de uma mesma criatura. Como navega em ondas imaginarias sua mente o controla bem, contudo, por vezes há motins a bordo e dissonantes acordes alteram o comando pondo em risco a jornada. Quantas foram as ocasiões em que se viu quase às pedras salvo pelo recuo de um dos navegadores... Sua mente!!! É sempre ela que o acode encontrando a solução iluminada a tirá-lo do perigo.
Perigo!!! Aí está uma palavra temerária, alertativa ou acorvardante ela se molda ao sabor das ondas de momento e leva à segurança ou a desgraça quem a interpreta erroneamente.
Nesse ponto entra na historia um sentimento. Encorajado pelo momento de aflição gerado pela sensação do perigo. E ele já não discute mais com a mente o comando da embarcação. Sem nunca abandonar a felicidade de estar de bem com ele mesmo, se deixa levar pelo sentimento de amor inimaginado e perde a concentração e se deixa levar pelo coração a viver a avassaladora e incalculável emoção de amar.
Mas em vão tenta ser visto da mesma forma que vê e num raro momento que pouco se entende ele sofre sem, contudo deixar de ser feliz.
Se o amor constrói ele também destrói se não amado como se pode. E ele Imagina assim pela carta naval, onde navega aquele amado destino e procura soprar para longe em pensamento os ventos que a todo custo tentam virar o veleiro de sua paixão.
Em resposta à pergunta inicial, digo que a face que a meu ver melhor revela o verdadeiro sentido da vida é a face da liberdade. Pois o livre ama e deixa amar... Vive e deixa viver... Tem o seu rumo e não o impõe a ninguém... Não se escraviza aos dogmas ... Se conhece como a ninguem e por fim compreende a impossibilidade que o impõe fronteiras cujas paisagens só poderá contemplar diante da cancela.
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